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Ondas de calor colocam o coração em risco e elevam chances de infarto e AVC.

  • Foto do escritor: Por: Só Aki Fabri
    Por: Só Aki Fabri
  • 12 de jan.
  • 3 min de leitura
  • As ondas de calor extremo, cada vez mais frequentes no Brasil e no mundo, não representam apenas desconforto térmico. Especialistas alertam que as altas temperaturas impõem uma sobrecarga significativa ao sistema cardiovascular, aumentando o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações graves de saúde.


  • O problema afeta toda a população, mas é especialmente perigoso para idosos, pessoas com doenças crônicas e quem trabalha ou passa longos períodos exposto ao calor.


Como o calor afeta o funcionamento do corpo


O corpo humano mantém sua temperatura média em torno de 36,5 °C. Quando a temperatura ambiente sobe demais, o organismo ativa mecanismos para tentar se resfriar, como:


• Dilatação dos vasos sanguíneos

• Aumento da frequência cardíaca

• Produção intensa de suor


Essas reações ajudam a liberar calor, mas exigem mais esforço do coração, que passa a bombear sangue com maior intensidade. Em pessoas saudáveis, o organismo geralmente consegue se adaptar. Porém, em indivíduos com fatores de risco, essa adaptação pode falhar.


Sobrecarga cardíaca e risco de infarto


Com a dilatação dos vasos e a perda de líquidos pelo suor, ocorre uma redução do volume de sangue circulante. Isso faz com que o coração precise trabalhar mais para manter a pressão arterial e a oxigenação dos órgãos.


Ao mesmo tempo, a desidratação pode tornar o sangue mais espesso, facilitando a formação de coágulos, que podem obstruir artérias coronárias e provocar infartos.


Em situações extremas, o calor também pode causar queda abrupta da pressão, arritmias cardíacas e descompensação de doenças pré-existentes.


Relação entre calor extremo e AVC


O calor intenso também está associado ao aumento do risco de AVC isquêmico, o tipo mais comum da doença. A explicação envolve:


• Desidratação

• Aumento da viscosidade do sangue

• Maior tendência à formação de trombos

• Alterações na pressão arterial


Esses fatores elevam a chance de bloqueio de vasos que irrigam o cérebro, resultando em danos neurológicos graves e, em muitos casos, permanentes.


Grupos mais vulneráveis


Algumas pessoas têm risco significativamente maior de sofrer complicações cardiovasculares durante ondas de calor:


• Idosos, cujo mecanismo de regulação térmica é menos eficiente

• Pessoas com hipertensão arterial

• Diabéticos

• Pacientes com colesterol alto

• Quem já teve infarto, AVC ou insuficiência cardíaca

• Pessoas obesas

• Gestantes

• Trabalhadores expostos ao sol ou a ambientes muito quentes


Nesses grupos, o calor pode agravar doenças silenciosas e antecipar eventos graves.


Principais sinais de alerta


Durante períodos de calor extremo, é fundamental ficar atento aos sintomas que podem indicar um problema cardíaco ou neurológico:


• Dor, pressão ou aperto no peito

• Falta de ar

• Palpitações

• Tontura ou desmaio

• Dor de cabeça intensa e repentina

• Confusão mental ou dificuldade para falar

• Fraqueza ou dormência em um lado do corpo

• Náuseas, suor frio ou sensação de mal-estar


Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, pois o tempo de resposta é crucial para salvar vidas.


Como se proteger do calor e reduzir os riscos


Especialistas reforçam que medidas simples podem fazer grande diferença na prevenção de problemas cardiovasculares:


• Beber água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede

• Evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h

• Priorizar ambientes ventilados ou com climatização

• Usar roupas leves, claras e de tecidos naturais

• Reduzir consumo de álcool, que contribui para a desidratação

• Evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes

• Alimentar-se de forma leve, com frutas, legumes e verduras

• Nunca interromper medicamentos sem orientação médica


Pessoas com doenças cardíacas devem manter acompanhamento médico regular e relatar qualquer sintoma diferente durante períodos de calor intenso.


O calor extremo como desafio de saúde pública


Com o avanço das mudanças climáticas, as ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes, intensas e prolongadas. Especialistas alertam que o impacto sobre a saúde cardiovascular já é considerado um problema de saúde pública, exigindo estratégias de prevenção, campanhas educativas e atenção especial às populações mais vulneráveis.


O calor extremo não deve ser encarado apenas como um desconforto passageiro. Ele pode ser um gatilho para eventos cardiovasculares graves. Informação, prevenção e cuidado são essenciais para proteger o coração em tempos de temperaturas cada vez mais altas.

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