O Segredo dos Salários: O que a Diretoria do Sicoob Vale do Aço Esconde dos Próprios Donos?
- Por: Só Aki Fabri

- 3 de jul.
- 2 min de leitura

Uma cooperativa financeira pertence aos seus associados, certo? Mas, na prática, parece que quem manda não tem o direito de saber para onde vai o próprio dinheiro. Um verdadeiro "muro de silêncio" se ergueu na assembleia do Sicoob Vale do Aço, transformando a remuneração da alta diretoria em um segredo guardado a sete chaves.
O caso veio à tona após o advogado Rodrigo Manhães apontar a total falta de transparência da instituição. Ele tentou, sem sucesso, descobrir os salários individuais dos diretores e conselheiros. A resposta da cooperativa? Um sonoro "não", usando como justificativa a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
Salarios de R$ 64 mil e uma conta de milhões
Sem dados atuais fornecidos na assembleia, as únicas pistas vieram de atas registradas em 2025. E os números são de cair o queixo. Manhães revelou aos cooperados que a remuneração individual de diretores passava dos R$ 64 mil mensais.
Fazendo as contas — incluindo o 13º e até um suposto 14º salário —, estima-se que os ganhos de um único diretor possam chegar à casa dos R$ 3,5 milhões. Quando olhamos para o bolo total da diretoria e do conselho, as demonstrações financeiras apontavam um custo de R$ 4,5 milhões, com uma proposta de reajuste que pesaria aproximadamente R$ 500 mil no bolso da cooperativa.
O problema? Ninguém sabe o valor real e exato pago hoje, porque a instituição simplesmente se recusa a abrir os números.
A Desculpa da Vez: O Sicoob Vale do Aço usou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para negar o acesso aos valores. Para o advogado, o argumento é inadequado. Afinal, como donos do negócio, os cooperados precisam saber o quanto pagam aos seus administradores para poderem votar com consciência.
Blindagem e Ameaças: O Preço de Questionar
A busca por respostas não foi amigável. Ao solicitar formalmente os dados, o advogado não recebeu apenas uma negativa, mas também um alerta com tom de ameaça: a cooperativa sinalizou a possibilidade de responsabilização civil e cr*minal caso fossem feitas afirmações sem comprovação.
Embora auditorias não apontem rombos ou desvios na gestão, a ocultação de dados e a demora na prestação de contas configuram, na visão jurídica de Manhães, uma ilegalidade clara. Em outras cooperativas pelo país, a abertura desses salários é tratada com a naturalidade que o cooperativismo exige. Por que ali é diferente?
Votação Sob Suspeita e Virada no Placar
A polêmica atingiu o ápice durante a votação do reajuste da diretoria. Inicialmente, o aumento parecia aprovado pela maioria. Foi quando uma grave contradição foi apontada: funcionários da própria cooperativa estavam votando — o que é expressamente proibido pelo estatuto da instituição.
Após o questionamento e a exclusão dos votos irregulares, a máscara caiu e o resultado virou drasticamente: o reajuste foi rejeitado por um placar esmagador de 16 votos contra 6.
Informamos que o nosso espaço está aberto para que o Sicoob Vale do Aço apresente novos esclarecimentos.












