O JOGO SUJO DAS ELEIÇÕES: Justiça Eleitoral confirma fraude e cassa votos de 5 partidos em Coronel Fabriciano
- Por: Só Aki Fabri

- 30 de jul.
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O que era para ser espaço e representatividade para as mulheres na política acabou se transformando em uma manobra para burlar a lei. Nesta quinta-feira (30), a Justiça Eleitoral da Comarca de Coronel Fabriciano deu um duro golpe no uso de "candidaturas laranjas" na cidade: o juiz eleitoral reconheceu oficialmente a fraude à cota de gênero cometida pelos partidos PRD, PP e Solidariedade nas eleições de 2024.
Com essa nova sentença, sobe para cinco o número de legendas que tiveram seus votos anulados e cassados no município.
Entenda a manobra
A legislação é clara: para montar uma chapa proporcional, os partidos são obrigados a ter no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de um mesmo gênero. A intenção da regra é garantir que mais mulheres ocupem os espaços de poder. No entanto, o PRD, o PP e o Solidariedade inscreveram candidatas femininas apenas "no papel", sem que elas realizassem qualquer campanha ou disputassem o pleito de fato, servindo unicamente para cumprir o percentual exigido por lei.
A denúncia partiu de uma ação ajuizada no final de 2024 pela então candidata a vereadora Débora Helena (MDB), representada pelo advogado Flaviano Dueli, que encabeça as ações contra as irregularidades.
Varredura na Câmara de Fabriciano
Em entrevista, Flaviano Dueli lembrou que a decisão contra PRD, PP e Solidariedade reforça o que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já havia decidido em segunda instância contra outras duas legendas: o Avante e o Rede Sustentabilidade.
Na prática, isso significa que metade das siglas que concorreram na cidade caíram na malha fina da Justiça.
"Nós teremos cinco partidos que disputaram as eleições do Legislativo de Fabriciano em 2024 com os votos anulados, cassados. Cinco partidos que foram à Justiça Eleitoral tiveram reconhecida a fraude à cota de gênero", destacou o advogado.
Embora ainda caiba recurso ao TRE para os três partidos condenados nesta quinta-feira, a defesa demonstra total confiança de que o tribunal manterá o posicionamento já aplicado nos casos anteriores.
Respeito à mulher ou mero cumprimento de tabela?
O escândalo escancara uma prática antiga que insiste em tratar a presença feminina na política como mero adereço burocrático. Para Dueli, embora o cenário seja lamentável, as decisões trazem um sopro de esperança e moralidade para a política no Vale do Aço.
"É uma conquista para o povo de Fabriciano, porque nós estamos moralizando estas fraudes que acontecem há anos. É preciso garantir que candidaturas femininas nunca mais sejam utilizadas como objeto, e sim apresentadas para que as mulheres possam, de fato, disputar uma cadeira no Legislativo", concluiu.









