O Imposto das Blusinhas Morreu? Governo Zera Alíquota de US$ 50, mas Deixa Armadilha no Caminho
- Por: Só Aki Fabri

- 13 de mai.
- 2 min de leitura
O governo federal deu um passo atrás e decidiu, por meio de Medida Provisória, zerar o imposto de 20% sobre as empresas internacionais. A pergunta que não quer calar é: o jogo virou para o consumidor ou é apenas um intervalo temporário antes de uma nova cobrança?

A Canetada do Dia: O Fim do "Pecado" de Importar Barato?
Na noite desta terça-feira (12), em uma edição extra do Diário Oficial, o governo Lula publicou uma MP que acaba com a famosa “taxa das blusinhas”. O texto dá poder para reduzir a zero a alíquota de importação para encomendas de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. Para quem estava acostumado a ver o carrinho de compras encarecer 20% no checkout da Shein ou da Shopee, a notícia soa como música.
O argumento oficial é de “justiça social”. O governo afirma que o objetivo é beneficiar a população de baixa renda, que encontrou nessas plataformas uma forma de acesso a roupas, itens infantis e eletrônicos básicos que muitas vezes pesam no varejo nacional.
O "Xeque-Mate" no Contrabando?
A equipe econômica não deu esse braço a torcer de graça. Segundo Rogério Ceron, secretário-executivo da Fazenda, a autorização só foi possível porque o setor agora está "limpo". O governo defende que o Programa Remessa Conforme conseguiu o que parecia impossível: eliminar o contrabando e regularizar as gigantes asiáticas.
“Depois de três anos em que conseguimos praticamente eliminar o contrabando, podemos dar um passo adiante”, afirmou Ceron.
Ou seja, a narrativa é de que uma casa foi arrumada e que, agora que as empresas pagam os impostos devidos (como o ICMS estadual, que continua valendo!), o governo pode abrir mão da sua fatia federal para entusiasmar os ânimos do eleitorado.
A Tatuagem dos 120 Dias
Aqui mora o perigo e a contradição. Uma Medida Provisória tem força de lei imediata, mas tem prazo de validade. O Congresso Nacional tem exatamente 120 dias para analisar, votar e aprovar esse texto. Se deputados e senadores — muitos deles financiados ou pressionados pelo lobby do varejo nacional — deixem o prazo vencer, a taxa de 20% volta automaticamente.
Na prática, o governo joga a batata quente para o colo do Legislativo. Se o imposto voltar daqui a quatro meses, o Planalto poderá dizer: "Nós tentamos zerar, mas o Congresso não aprovou".
Conclusão: Vitória Real ou Estratégia de Imagem?
Zerar o imposto é uma vitória inegável para o consumidor que viu seu poder de compra derreter nos últimos meses. No entanto, é preciso observar se essa "paz" com as plataformas internacionais é definitiva ou se é apenas uma manobra para reduzir o desgaste político enquanto se prepara o terreno para uma tributação de até 30% em compras maiores (até US$ 3.000), como também prevê uma MP.
O recado é claro: aproveite enquanto dura. No tabuleiro de Brasília, uma "blusinha" virou peça de xadrez.






