"Bolas" de controvérsia: Procon-MPMG barra chicletes da Fini por apelo sexual impróprio a crianças
- Por: Só Aki Fabri

- 23 de abr.
- 2 min de leitura
Em decisão rigorosa, órgão mineiro suspende venda de linhas consagradas da marca, acusando a empresa de usar anatomia animal para fisgar o público infantojuvenil através de conotação sexual.

O marketing de guloseimas atingiu um limite perigoso — e o Procon do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MPMG) decidiu colocar um ponto final na farra. Em uma medida cautelar de peso, o órgão determinou a suspensão imediata da venda de três linhas de chicletes da gigante Fini: "Camel Balls", "El Toro Balls" e "Unicorn Balls". A acusação é grave: o design das embalagens e o conceito dos produtos utilizam referências anatômicas de órgãos genitais animais, criando uma estratégia que o Ministério Público classifica como abusiva e inadequada para crianças e adolescentes.
Onde a brincadeira vira infração
Não se trata apenas de uma embalagem colorida. Para o promotor de Justiça Fernando Abreu, a estratégia comercial da The Fini Company Brasil cruza a linha da publicidade abusiva. Ao utilizar elementos que remetem à anatomia sexual, a empresa é acusada de explorar a credulidade do público jovem, expondo-o precocemente a conteúdos que deveriam ser estranhos ao universo infantil.
O parecer técnico do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CAO-DCA) foi enfático: a apresentação visual dos produtos é incompatível com a proteção integral garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A decisão não poupa nem os gigantes do e-commerce; a Amazon, por exemplo, está proibida de comercializar os itens em território mineiro.
O cerco se fecha
A medida é apenas o início de uma longa batalha jurídica. Além de retirar os produtos das prateleiras virtuais e físicas, o Procon-MPMG deu um ultimato à Fini: a fabricante tem dez dias para apresentar defesa e entregar dados contábeis robustos, incluindo o faturamento bruto de 2025. O tom do Ministério Público deixa claro que a "brincadeira" de mau gosto pode custar caro — e não apenas em termos de imagem.
O impacto da decisão pode ir muito além das fronteiras mineiras. O caso foi reportado ao Conar, ao Conanda e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Se a autoridade nacional decidir seguir o exemplo de Minas Gerais, a Fini poderá enfrentar um "recall" massivo de produtos em todo o Brasil.
Até onde vai o lucro?
A indústria de doces sempre apostou no lúdico, no divertido e no inusitado para conquistar o consumidor. Porém, quando o "inusitado" esbarra na erotização ou na sugestividade imprópria voltada a menores, a sociedade precisa reagir. A decisão do Procon-MPMG é um lembrete necessário de que o mercado, por mais lucrativo que seja, não tem carta branca para negligenciar a responsabilidade social e a preservação do desenvolvimento psicológico das nossas crianças. Fica o questionamento: será que a Fini ignorou os riscos, ou o lucro falou mais alto que o bom senso?












